ando lendo tanto Rubem Alves, que também começo a acreditar que vivi a infância numa roça mineira qualquer, rodeada de montanhas, em que, quando o sol aparecia já era tarde e o galo sempre atrasava seu despertar cocoricó...
engraçado que chego a sentir saudades desta infância tardia que inventei para mim, com a ajuda das palavras do escritor... assim me lembro da geléia de jabuticaba açucarada que me arrepiava os dentes, mas que comia aos montes, junto com pão quentinho de minuto e do queijo amarelinho da Canastra, que se fazia o pão de queijo melhor do mundo... dos pés sempre descalços, encardidos de um alaranjado que não saia nem esfregando com bucha vegetal e que minha mãe acredita até hoje, que o motivo de meus pés serem grandes, foi justamente o fato de andar descalça nesta infância... voltava da escola com as sandalinhas nas mãos...
tenho saudade também dos pintinhos do galinheiro e da choradeira que era toda vez, que era dia de fazer galinha ao molho pardo... mas nunca deixei de comer o cozido feito no fogão à lenha!
e neste devaneio de apropriação das memórias alheias, vou misturando o que vivi com o que poderia ter vivido, se lá em Minas tivesse nascido, e assim, vou tecendo uma lembrança gostosa de sentir, pois ter passado a infância em Minas, deve ter sido bom demais... um exercício criativo, que pode ser infinito e rico em detalhes...
ahhh que vontade desta infância mineira... só penso nos quantos tachos de doce de leite e goiabada eu teria raspado!































